21 - Qualidade e Gestão de Sítios de Arte Rupestre.
Quality and Management of rock-art sites
Qualité et Gestion des sites d’art rupestre
Calidad y manejo de sítios de Arte Rupestre
Coordenado por/Co-ordinator: Luiz Oosterbeek, Maurizio Quagliuolo, Rossano Lopes Bastos e Cris Buco
PAPERS
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Quality and Management of Rock Art Sites
Luiz Oosterbeek - Portugal
Our common Cultural Heritage, especially the Prehistoric one, is subjected to be rapidly deteriorated, needing to be preserved. On the other hand we have the responsibility to diffuse the knowledge of this Heritage to the public. Both of these activities have costs, sometimes expensive. The use of Cultural Heritage for tourism and other economic activities can help us to maintain it reducing costs and creating job opportunities. But there is a 'break point' we have to study very well between 'compatible development' (that take care of the context) and 'sustainable development' (that is able to economically maintain itself). Our goal is to set an 'equilibrium' between them. From Lascaux to Shanidar caves, from Malta to Stonenge temples, from Serra da Capivara to Foz Coa parks, from Australia to North Africa Rock Art, from Pechino to Isernia excavations, from Paris Musée de l'Homme to Quebéc Museum of Civilization, from Catal Hüyük to Varna villages, from the Rift Valley to the Grand Canyon, most problems have to be fronted in a common perspective. What we need is to collect the point of view of other colleagues as well as benefit of the help of other experiences in similar situations. What we need is to act in a more effective, less expensive, more comprehensive, cooperative and immediate way which could let us to better manage our sites: that's Quality.
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Métodos de Aplicação Digital na Representação do Patrimônio Cultural
Manoel Gonzalez - Brasil
Desde o inicio dos anos 90, ocorreu a diminuição progressiva dos computadores pessoais e outros equipamentos eletrônicos. Isto afetou virtualmente vários tipos de negócios, programas de pesquisa, assim como a vida de milhões de pessoas com acesso a esta nova tecnologia. O desenvolvimento desta tecnologia portátil e métodos de coleta de dados digitais, não fez com que os arqueólogos perdessem a utilização de métodos científicos tradicionais e sim acrescentar novas perspectivas a seus estudos. Uma das primeiras utilidades para analisar adequadamente padrões de assentamento relacionando com vários dados arqueológicos, ambientais e paleoambientais, foi com a utilização do Sistema Global de Informação (GIS). Deste momento em diante muitas foram as aplicações da tecnologia nas escavações arqueológicas, assim como sua reprodução em forma digital até a chegada da aplicação de programas em 3D e finalmente a realidade virtual (RV). A realidade virtual trouxe um novo molde para a preservação do patrimônio cultural, realizando uma cópia tri-dimensional perfeita do bem a ser preservado. Uma das primeiras aplicações desta tecnologia foi a reconstrução em 3D das Grutas de Mogao em Dunhuang, onde dentro de um museu o visitante pode visitar todo o complexo arqueológico como se o estivesse explorando in loco. Este modelo possui um custo menos elevado do que a construção da réplica dos salões da Caverna de Lascaux, e pode ser aplicado em qualquer museu do mundo. Neste sentido podemos transportar, por exemplo, o complexo de pinturas rupestres do Parque Nacional Serra da Capivara para qualquer museu ou instituição do Brasil ou do mundo. Trazendo com isso a ampliação da divulgação de um trabalho bem sucedido, assim como trabalhar os temas da pré-história brasileira, principalmente com a questão da educação patrimonial, onde nem sempre é possível levar crianças, jovens ou adultos ao local exato de um sitio pré-histórico ou histórico. A apresentação em 3D transmite ao visitante a impressão de visitar o sítio, alem de ter todas as informações relativas aos trabalhos realizados, e às pinturas, com um sistema de áudio em comunhão ao visual. Os custos de técnicas como esta tem sido barateadas com o passar dos tempos, e não são uma barreira para a implantação desta tecnologia em centros brasileiros.
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O Planejamento do uso turístico de Sítios arqueológicos
Sabrina Campos Costa - Brasil
Sítios arqueológicos no Pará são bastante divulgados por organismos oficiais de turismo, antes mesmo que pesquisas, preparação das comunidades e implantação de infra-estrutura sejam realizadas. O turismo assim se torna mais predatório que benéfico, se avaliarmos os custos sociais e culturais. Somente com a co- responsabilidade da sociedade, em um turismo de base local, situações como saques e vandalismos podem ser revertidas, em favor de um desenvolvimento humano e econômico. Infelizmente a experiência no Brasil é de imposição do turismo às comunidades, que são relegadas ao papel de expectadoras de uma “invasão”. O planejamento turístico ocorre em geral quando o dano está feito e é quase irreversível. Este trabalho pretende, portanto, apontar etapas do planejamento para o uso turístico de sítios arqueológicos.
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Patrimônio Arqueologico Rupestre: leituras antropológicas
Rossano Lopes Bastos - Brasil
O presente trabalho prende-se aos esforços de fazer uma leitura antropológicadas manifestações contidas no patrimônio arqueológico rupestre. Nossa intenção é realizar uma ponte entre a arqueologia e a antropologia como forma de pensar as manifestações "artísticas", símbólicas ea partir daí construir um pensamento interpretativo. A capacidade de interpretação deverá ser múltipla abordando transdisciplinaridade. os registros rupestresserão entendidos em conjunto, e em agrupamentos por categorias.
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Proposta de uso público para um sítio de arte rupestre da Amazônia Mato-grossense: O caso “Pedra Preta de Paranaita”
Nely Tocantins & Maria Clara Migliacio - Brasil
O sítio arqueológico Pedra Preta de Paranaíta situa-se no Município de Paranaíta, no Pólo de Ecoturismo da Amazônia Mato-grossense, mesoregião Norte do Estado de Mato Grosso, na bacia do Rio Teles Pires, e apontada em 1999 e reiterada em 2006 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) como de extremamente alta importância biológica para conservação, por meio do documento "Áreas Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira". Ao mesmo tempo, apresenta sérios problemas de infra-estrutura apresentando formas de ocupação nada compatíveis com a sua biodiversidade. Com base no diagnóstico do Programa de Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia Legal (PROECOTUR)/MMA de que o sítio arqueológico vem sendo objeto de visitação desordenada, foi contratado pelo MMA em 2006 a elaboração do Projeto de Pesquisa Arqueológica, Plano de Gestão e Estratégia de Uso Público do Sítio Arqueológico de Pedra Preta, em Paranaíta, Mato Grosso, uma vez que se trata de um grande atrativo do Pólo, juntamente com o Parque Estadual do Cristalino/MT. O sítio possui 9,6 hectares de área e 1.277 metros de perímetro, exibindo diversos painéis de inscrições rupestres de grandes dimensões, e que apresentam características muito peculiares quando comparado a outros sítios de arte rupestre do país. O afloramento rochoso é composto por um granito cinza-claro coberto por musgo, o que lhe confere uma coloração final verde escuro, quase negra, razão do nome que recebeu na região: Pedra Preta. Encontra-se cadastrado junto ao IPHAN sob o nº 46.382 localiza-se na Reserva Legal da propriedade, em uma área de contato da Floresta Ombrófila/Floresta Estacional e do Contato Floresta Estacional/Savana. A despeito da importância e representatividade do sítio, localizado numa região cujo patrimônio arqueológico apenas recentemente começa a ser conhecido, constatou-se um baixo aproveitamento cultural do mesmo, haja vista o fato de que ainda não se dispunha de informações sobre ele e sobre o seu contexto. Para a elaboração da proposta foram levados em consideração, além dos critérios gerais de disponibilidade de informações corretas e concisas sobre o bem cultural em questão e do estabelecimento de regras de comportamento a serem adotadas pelos visitantes, os quesitos apontados pelo Iphan (1997) como: sinalização nas estradas de acesso; entrada: cobrança de ingresso; conhecimento da legislação específica; equipamentos básicos e adicionais; acessibilidade a deficientes físicos; centro de apoio ao visitante local; controle de fluxo de visitantes; acompanhamento por guias/monitores; elementos de interesse para visitação: seleção; trilhas; sinalização das trilhas; sinalização: tipos de placas; linguagem e conteúdo das placas; proteção do patrimônio cultural; proteção da paisagem natural do entorno; envolvimento da comunidade local; posto de informação fora do local. Visando promover, por um lado, a conservação do sítio e, por outro, a sua socialização enquanto patrimônio cultural foi desenvolvida a proposta de uso público, dentro da qual, o projeto de musealização e sinalização ocupam um lugar de destaque. Para a musealização de sítio arqueológico a céu aberto propõe-se a categoria de ecomuseu, apontando-se a perspectiva futura de criação de um espaço cultural de vizinhança. Enquanto ecomuseu, o sítio arqueológico deverá ser sinalizado, e munido de uma estrutura de recepção para orientação e apoio ao visitante. No caso em questão, trata-se de um sítio arqueológico de arte rupestre a céu aberto, que será tratado como um acervo a ser preparado para visitação, com objetivos educacionais e culturais. Todos os elementos que compõem o sítio são considerados como parte do acervo: o suporte rochoso, os painéis de arte rupestre, os grafismos rupestres, além de elementos da fauna e da flora do ambiente em que está inserido. Considera-se, ainda, que enquanto perdurar a situação atual, de despreparo do sítio, inexistência de guias e de informação sobre ele, a visitação pode trazer danos irreversíveis ao sítio e, portanto, não deve ser intensificada ou mesmo encorajada. Antes de se intensificar o uso do sítio para visitação, ou a divulgação do sítio como vem ocorrendo, faz-se necessária a implementação das medidas apontadas pelo Projeto de Pesquisa Arqueológica, Plano de Gestão e Estratégia de Uso Público do Sítio Arqueológico de Pedra Preta, em Paranaíta que inclui, além da proposta de uso público apresentada, propostas de gestão e de educação patrimonial.
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A Arte Rupestre na Serra da Bodoquena, MS – Brasil
Rodrigo Aguiar & Jorge Eremites - Brasil
Situado no cerrado tocantinense, o Rio do Sino se estende pelos municípios que compõem a famosa região do Jalapão. Ao observador desatento, o Jalapão parece uma região quase desértica (com efeito, há uma área de dunas chamada deserto do Jalapão), que pouco recurso alimentar oferece aos assentamentos tradicionais. Entretanto, tal interpretação mostra-se extremamente equivocada, haja vista que o serrado tocantinense, além de farto em água, apresenta grande diversidade biológica, constituindo-se verdadeiro celeiro para as populações pré-históricas. Neste contexto, a implantação de uma Usina Hidrelétrica no município de Novo Acordo demandou um estudo das potencialidades arqueológicas da região do Jalapão. Como não foi de se estranhar, em duas semanas de trabalho de campo diversas ocorrências arqueológicas foram registradas. Basicamente, a região abriga assentamentos da tradição Serranópolis, com as características lâminas tipo “lesma” e cerâmicas Uma e Sapucaí-Aratu. A arte rupestre catalogada classifica-se em três modalidades: gravuras rupestres, tendo por principal sítio o Morro do Homem, no Município de Novo Acordo; pinturas rupestres em caverna do município de Rio Sono; e alinhamentos de pedras, com ocorrências nos municípios de Novo Acordo, Rio Sono e São Félix. Dos três fenômenos rupestres, o que mais surpreendeu os pesquisadores foi o dos alinhamentos de pedras, com destaque especial ao alinhamento presente no município de São Félix: composição de dezoito blocos de pedras eqüidistantes em 1,5 a 2 metros, alinhados no sentido leste-oeste. Tal situação remete a existência de uma ocupação pré-histórica fundamentada num culto solar, cujos vestígios materiais em meio ao cerrado tocantinense mostram-se promissores para a constituição de um projeto de gerenciamento. As ocorrências rupestres da região do Jalapão podem constituir o elemento justificante para a criação de um parque arqueológico, vital para os futuros estudos sobre a arte rupestre do serrado tocantinense.
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A experiência da Superintendência Regional do IPHAN no Piauí na conservação e sociabilização de sítios de pintura rupestre
Claudiana Cruz - Brasil
A gestão dos sítios de arte rupestre tem exigido da Superintendência Regional do IPHAN no Piauí, além de conhecimentos específicos na área de arqueologia, a observação de sua interface com as pessoas ligadas direta ou indiretamente a este patrimônio, com os aglomerados urbanos próximos a ele, com as questões de identificação e herança cultural, com o turismo e a manutenção deste patrimônio. Diante do potencial arqueológico do Piauí, atualmente com aproximadamente 1400 sítios identificados, entre pintura rupestre e gravuras, apenas a identificação deste acervo mostrou-se insuficiente para sua preservação. A conservação, proteção e sociabilização mostrou-se um caminho para a apropriação deste patrimônio pela comunidade e para sua preservação. Em três anos a Superintendência Regional do IPHAN no Piauí realizou o cercamento de 58 sítios, sinalização de 66 sítios, instalação de estrutura de visitação de 10 de sítios, conservação de painéis de pintura rupestre de 67 sítios e elaboração de projeto de instalação de estrutura de visitação de 10 sítios, todos esses sítios são de pintura rupestre. Estes sítios foram escolhidos em função das ameaças a que estão sujeitos, da visitação turística desordenada existente, da sua localização e acessibilidade e da propriedade da área onde está localizado.
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Di vandalismo e di esigenze di “qualità” della vita
Dario Seglie - Itália
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Serra da Capivara National Park (Piauí-Brazil). Art and Archaeology - a motor of regional development
Cris Buco, Niéde Guidon & Elaine Ignácio - Brasil
The surface of Serra da Capivara National Park comprises 130.000 ha with a perimeter of 129 km with 1.000 archaeological sites. It was was in 1991 included in UNESCO’s list of World Heritage. The FUMDHAM in partnership with the IPHAN, IBAMA, the Government of the State and local communities preserve the park through the actions of environmental preservation, cultural conservation, patrimonial education and research. In this communication we will show the principal activities done in art and archaeology - a motor of regional development.
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“Atuação não governamental na proteção dos patrimônios cultural e ambiental brasileiros: mais do que um direito, uma tendência”
Marcos Paulo de Souza Miranda - Brasil
Os novos tempos mostram efetivamente que o Estado, por si só, na maioria das vezes não tem condições de atuar de maneira pronta e eficaz para a satisfação de todos os anseios públicos. Daí, a nova tendência constitucional de incentivar a participação da sociedade na definição e execução de medidas que visam a melhoria da condição de vida da própria população.Uma característica do novo modelo preservacionista adotado pelo ordenamento jurídico brasileiro é o mínimo de intervencionismo estatal no que diz respeito às propriedades privadas que abrigam os valores de interesse cultural e ambiental. A experiência demonstrou ao longo dos tempos que o Estado é muito mais eficiente quando atua como fiscalizador do que como proprietário ou administrador, pelo que a intervenção obtusa (como o caso de desapropriação, v.g.) em assuntos desta natureza mostra-se como a última alternativa. Seguindo um modelo, que será apresentado nesta comunicaçao, há o Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande - sociedade civil sem fins lucrativos - mediante parceria com o Município, está implantando o Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio (Andrelândia, Sul de Minas Gerais ) que será a primeira unidade privada de conservação ambiental e arqueológica totalmente administrada por uma ONG, no Brasil.Como se vê, o direito de participação comunitária na esfera de proteção aos patrimônios cultural e ambiental nacionais tem gerado bons frutos, e seu exercício talvez venha a se constituir na alavanca de inversão do triste quadro de abandono de tais valores em nosso país. Os cidadãos brasileiros, cada vez mais conscientes da importância de se proteger esses patrimônios, se reconhecem como seus guardiães e assumem gradativamente a responsabilidade solidária de preservá-los, impondo a si mesmos o dever de transmiti-los na plenitude de sua integridade às gerações vindouras.
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“Safe Harbour” - um porto seguro transatlântico: arte e arqueologia sem fronteiras
Luiz Oosterbeek, Maurizio Quagliuolo, Rossano Lopes & Cris Buco - Portugal, Itália, Brasil
O projecto Porto Seguro visa estruturar uma rede estável de parcerias entre a Europa e o Brasil, que tomam como núcleo a arqueologia e se articulam nos planos do património cultural material e imaterial, das artes e da antropologia. O projecto tem como base quatro cenários de intervenção: Mação (Portugal), S. Raimundo Nonato (Piauí), Pirajú (S. Paulo) e Palhoça/Florianópolis (Santa Catarina). Uma necessidade crucial no quadro da globalização é a de promover o diálogo intercultural e a diversidade cultural baseados no mútuo apreço e respeito, e na curiosidade pelo “outro”. O processo de construção Europeia é uma demonstração do que se pode fazer pela unidade através da diversidade. A nossa cooperação parte de uma perspectiva bi-direcional, em que a Europa contribui para o Brasil com a sua própria diversidade, enquanto o Brazil, pela sua matriz diversa, também pode ajudar no diálogo no quadro do processo de integração Europeia. As expressões culturais são a matriz das identidades. Somos uma rede de relações e acções transatlânticas onde a arte e a arqueologia estão sempre presentes numa fusão de conhecimentos pré-históricos e históricos, construindo um novo quadro cultural, a nossa pequena-grande história.
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A herança patrimonial e a mortalidade dos objectos: as escolhas inevitáveis
Jorge Rodrigues - Portugal
O tema que pretendemos tratar prende-se com o conceito de mortalidade dos objectos. Resumidamente: a nossa sociedade não aceita a morte, revê-se numa utópica noção de imortalidade que fez rejeitar os ritos de passagem, olhando para a morte física com nojo e sobre ela procurando estender um manto de silêncio. A projecção deste conceito nos objectos faz com que a ideia de permanência (a qualquer custo, sem previsão de desaparecimento) se sobreponha à inevitável morte também dos objectos, que como entes físicos, terão um dia o seu fim. Naturalmente que estes conceitos têm implicações religiosas e/ou simbólicas, e a nossa aproximação ao património – ao Monumento, ao Museu – é hoje muito semelhante à veneração prestada aos ícones sagrados (com respeito, em silêncio…). Tal facto leva a uma perversão de valores, sendo hoje mais mediática a morte de um objecto deste novo Sagrado (os Budas do Afeganistão, alguns quadros dos Uffizi nos atentados dos anos 80) do que a morte física de pessoas - às vezes muitas, às vezes muito cruel - mas infelizmente também muito comum no nosso dia. Pessoas incógnitas há muitas e todos os dias morrem; Tondos do Miguel Ângelo só há um… A inevitável conclusão é a de que teremos que fazer escolhas, entre aquilo que a sociedade considera como o núcleo fundamental do seu legado cultural, e aquilo que teremos que considerar como marginal a esse núcleo, cujo estudo deverá incorporar o nosso conhecimento global, mas que teremos que deixar depois morrer de forma natural. A gradual valorização de um número crescente de acervos variados do nosso legado cultural torna esta escolha imperativa e inevitável. Estas escolhas deverão ser feitas de forma tão universal e democrática quanto possível, aproveitando aqui para validar o modelo do sistema Herity – da participação de especialistas independentes, de gestores e do público – como o mais equilibrado e adequado para responder a estes desafios futuros.
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Quality Management at Rock Art Sites: The HERITY Certification at Serra da Capivara World Heritage Site
Maurizio Quagliuolo - Itália
Serra da Capivara Park is one of the most powerfull sites of Rock Art in the World. The inscription in the UNESCO World Heritage List witnesses its interest at a global level. Moreover it presents very interesting management strategies. Nonetheless, the large scale of the Park, the number of its sites, social and cultural implications, logistic, and others make it a very difficult site to be assessed.
These characteristics implied that the HERITY Global Evaluation System, specific for Cultural Assets and based on a strong public-oriented approach, was thought to be the right model to make possible to maintain and strenghten quality management at this site, involving visitors and helping responsible people to better manage the assets they are in charge, as well as to match UNESCO-WHC recommendations on Management Plans setting. The possibility to measure performances, improvements, skills and results at Serra da Capivara through time and the international vocation of the HGES are to be taken into account too. Serra da Capivara as a Pilot Site in the context of a consolidated model will let to verify the usefulness of the HERITY certification of Rock Art Sites open to the public at a World scale.
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